Aspectos atuais sobre degradação dentária

“Não é somente a cárie a grande causadora dos problemas dentários”

Pedro Hauy

É muito comum, nos dias de hoje, pacientes se queixarem de dores por sensibilidade dentária – e sem a presença de cáries. Ao exame clínico, podemos observar muitas vezes a ocorrência de desgastes dentários gerados por pelo menos três causas mais comuns: a erosão, a abrasão e o desgaste por atrito.

A erosão, também conhecida como erosão ácida do esmalte e da dentina, está associada ao consumo frequente de alimentos ácidos como frutas cítricas, refrigerantes, isotônicos, álcool, bebidas açucaradas e gaseificadas e vinagres. Esse tipo de desgaste também é observado nos pacientes que apresentam distúrbios estomacais, como refluxos, em pacientes que utilizam medicamentos que diminuem a salivação e em portadores de bulimia e anorexia. O esmalte corroído pela ação dos ácidos torna-se fino pela perda de espessura, deixando de proteger a dentina – região em que se percebe dor e sensibilidade –, sem contar que com menor quantidade de esmalte, transparece mais a dentina – amarelada –, dando a impressão de dentes escurecidos.

No desgaste do tipo abrasão, soma-se à presença dos ácidos a agressão física de uma escovação inadequada – seja pela aplicação de excesso de força. As escovas de dente devem ter suas cerdas macias ou extra macias e com as pontas arredondadas para realizar a limpeza sem agredir as gengivas. Também pelo uso de cremes dentais com agentes abrasivos, como os cremes para clareamento, e pelo hábito nocivo de se utilizar bicarbonato de sódio diretamente nas escovas, pensando que podem melhorar a limpeza dos dentes. Esses produtos riscam e desgastam o esmalte dental.

E finalmente, o terceiro desgaste mais observado é o provocado pelo atrito dos dentes. O nome mais conhecido do público é bruxismo ou parafunção, que é o hábito de se apertar e/ou ranger os dentes. O esmalte dentário é a estrutura de maior dureza do corpo humano. Por essa razão, o esfregar dos dentes leva a profundos desgastes em sua superfície, como diminuição severa de sua altura, expondo uma porção mais sensível, a dentina, como também provoca desordens das articulações têmporo mandibulares, com reflexos dolorosos na face, cabeça, pescoço e até região dos ombros. Outro hábito muito nocivo que também provoca esse desgaste é o de ‘roer unhas’. A unha se rompe facilmente, fazendo com que os esmaltes se choquem, formando trincas ou mesmo lascaduras. Estes desgastes, atuando de forma progressiva, podem gerar grande sensibilidade e até perdas dentárias por fraturas de coroas ou raízes.

 

Prevenção é OURO em odontologia

Tudo fica mais simples e menos dispendioso quando o paciente retorna ao consultório nas datas determinadas pelo seu dentista para fazer prevenção e manutenção de saúde bucal, onde terá aconselhamentos e alertas sobre os possíveis distúrbios antes que se tornem uma realidade ou quando ainda estão em fase inicial. Portanto, quanto antes identificarmos a presença dessas patologias, mais simples e rápidos serão os procedimentos para neutralizar seus efeitos e garantir uma longa permanência de bons dentes na cavidade bucal.

Matéria publicada na revista A Comarca - Dia das Mães 2018


Fonte: Pedro Hauy


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