Quadrilha que fraudava INSS deu prejuízo superior a R$ 5,5 milhões

Polícia Federal de Araraquara prendeu quatro integrantes da quadrilha; mais de 50 pessoas recebiam benefícios irregularmente


A Polícia Federal de Araraquara, com o apoio do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), deflagrou na manhã desta terça-feira (31) a operação intitulada Apate, para desarticular e prender membros de uma organização criminosa especializada em fraudes junto à Previdência Social.  

A Justiça Federal de São Carlos autorizou a execução de quatro mandados de prisão e seis de busca e apreensão, todos cumpridos na manhã de terça. Um advogado e outras duas pessoas foram presas em São Carlos e um homem foi detido em Araraquara. Eles são acusados de comandar a operação que deu um prejuízo de R$ 5,570 milhões aos cofres do INSS.  

Os suspeitos encontravam pessoas interessadas em conseguir algum tipo de benefício previdenciário e falsificavam documentos para dar legitimidade aos pedidos. "As fraudes consistiam, basicamente, na criação de vínculos empregatícios fictícios na carteira de trabalho. Com base nesses falsos registros os membros da quadrilha davam andamento, no INSS, dos mais diversos benefícios como aposentadoria por idade, pensão por morte, auxílio doença e aposentadoria por tempo de contribuição e idade", explicou o delegado responsável pelas investigações, Adriano Rodrigues Junqueira.  

Os beneficiários eram registrados em empresas inativas e jamais haviam trabalhado de verdade para esses empregadores. De acordo com a Polícia Federal, mais de 60 trabalhadores participaram do esquema e recebiam os benefícios irregularmente. "Considerando-se a expectativa de vida do brasileiro, e sem considerar a inclusão de outros falsos vínculos inidôneos, pode-se apontar que o prejuízo aos cofres públicos chegariam a mais de R$ 17 milhões", reforçou Junqueira.  

A investigação começou em agosto de 2017 depois que a Coordenação-Geral de Inteligência Previdenciária (COINP) da Secretaria de Previdência, detectou inconsistências em alguns dados fornecidos por pessoas que entraram com requerimento para a obtenção de benefícios. "Nós aprofundamos as investigações a partir dessa suspeita, iniciamos a interceptação telefônica sob esses investigados. As provas contra eles são irrefutáveis", garante Adriano Junqueira.  

Nas buscas foram apreendidos vários documentos, carteiras de trabalho, carimbos, procurações, máquinas de escrever utilizadas para preencher as carteiras e outros itens que, segundo a Polícia Federal, confirmam as suspeitas.  

Durante as investigações também não foram encontradas provas de que funcionários do INSS tinham conhecimento do esquema ou agiram para facilitar a ação da quadrilha.  

O advogado detido tinha escritório em São Carlos e seria um dos responsáveis por indicar pessoas para a falsificação. A prisão dele foi acompanhada por um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).  

A Justiça Federal de São Carlos determinou o bloqueio de contas e o sequestro de bens e imóveis em nome dos investigados. Os quatro suspeitos vão responder por estelionato, falsidade ideológica e organização criminosa. Os beneficiários identificados vão responder também por estelionato e podem ser inseridos em outros crimes como falsidade ideológica, por exemplo. Eles também devem ser obrigados a devolver os valores recebidos com correção e multa.  

"Nós vamos fazer um pente fino no INSS, nos benefícios concedidos na agência de São Carlos para identificar outros beneficiários envolvidos no esquema porque a fraude é gigantesca", conclui o delegado 
Os três homens detidos vão para o Anexo de Detenção Provisória de Araraquara e a mulher será encaminhada para a Cadeia Feminina de Guariba.  

Na mitologia grega, Apate era um espírito que personificava o engano, o dolo e a fraude, por isso o nome da operação, de acordo com a PF


Fonte: A Cidade On


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