Uma bela missão ambiental

Cezar Galhardi planta e cuida de árvores num trecho da Avenida Francisco Mastropietro


Carlos Cezar Galhardi nasceu num sítio em Fernando Prestes, no dia 21 de agosto de 1976. Os pais Roque e Delaide mudaram-se para Matão em 1988, trazendo-o com os irmãos Waldir e Silvio. Após cursar o Senai ‘Henrique Lupo’ (Araraquara) dos 14 aos 16 anos, Cezar ingressou na Marchesan, onde trabalha até hoje, sendo há 15 anos na função de projetista mecânico.

A paixão pela natureza começou no sítio e veio junto para a cidade. Desde meados de 2007, ele mudou-se para a Avenida Francisco Mastropietro, nº 2.323. Observou que o trecho desta via entre as avenidas Brasil e Tiradentes não tinha muitas árvores, embora naquele período três senhores (dois de nome José e outro de sobrenome Botelho) fizessem plantios e cuidassem de árvores neste setor.

Então, Cezar decidiu começar a plantar árvores naquele trecho do canteiro central. “Comprei mudas e formei-as em casa. Comecei por um Faveiro, que hoje tem uns 15 metros de altura. De lá até hoje, plantei cerca de 50 árvores no local, entre as quais de Ipês Roxo, Amarelo, Branco e Rosa, Ipês Mirins Amarelos, Grevilhas, Escovas de Garrafas, Resedas, Mangas, Jambolões, Calaburas, entre outras”, reporta.

Além do plantio, Cezar cuida das árvores. “É o ponto fundamental. Se não cuidar, o plantio pode se tornar inútil. Recentemente, coloquei proteções de PVC nos troncos das mudas para evitar cortes por parte de roçadeiras manuais e tentando deixar uma sinalização melhor para que tratoristas que fazem a roçagem vejam as mudas e não passem com o equipamento por cima”, cita.

Cezar também molha as mudas mais novas, principalmente em época de seca. “Jogo adubo uma vez por ano e removo galhos secos que prejudicam o crescimento de novos brotos. Todos estes cuidados proporcionam quase 100% de aproveitamento nas mudas plantadas”, resume ele, que conta com o apoio da esposa Ieda na formação de mudas de orquídeas, das quais algumas vão para as copas das árvores mais altas.

“Há muitas orquídeas em casa, onde formamos pequenos orquidários que têm a companhia de caixas apropriadas para a formação de colmeias da abelha Jataí”, destaca Cezar. Desde 2017, ele prioriza o plantio de espécies que proporcionam florações durante todo o ano, para alimentação de abelhas e de espécies de Beija-Flor. Antes, ele plantava mais mudas ornamentais.

Aos sábados, domingos e alguns feriados, Cezar tem vontade de plantar mais mudas nos poucos espaços que restam, respeitando o espaçamento adequado para o crescimento e também sem obstruir a passagem dos tratores que fazem a roçagem da grama. “Sigo a instrução que me foi dada logo no início dos plantios por Maria Aparecida Bellintani Ourique de Carvalho (Mariinha), ex-diretora municipal de Meio Ambiente”, lembra.

Outra forma de plantio é a substituição de árvores mortas ou muito adoecidas, que deixarão de existir. “É essencial que Matão seja bem arborizada e que estas árvores cresçam saudáveis e integrem cadeias alimentares, favorecendo também a fauna”, coloca Cezar, que ressalta também a importância do trabalho constante desenvolvido pelo Grupo Matão+Verde.

ERROS NA ROÇAGEM

Cezar se preocupa muito com a roçagem incorreta. “A muda é plantada e os fios de naylon das roçadeiras manuais machucam seus finos troncos. No local em que o naylon cortou o tronco ficam espaços abertos para o ingresso de insetos que buscam a seiva das árvores, podendo causar mortes das espécies. Possivelmente, os funcionários que fazem a roçagem são instruídos a não cortar os pequenos troncos, mas isso ocorre frequentemente”, conta.

Estes cortes – conhecidos como ‘Anelamento’ – também impedem a passagem de boa parte da seiva para a sequência do tronco, galhos, folhas, frutos. Com o ‘Anelamento’, a planta fica com sequelas. “Parte das mudas urbanas deve morrer vagarosamente ou ‘não pegar’ por esta causa, e não somente por vandalismo ou falta de água”, argumenta Cezar.

A solução é muito simples, não exigindo trocar o equipamento de corte, vultosos recursos públicos ou trabalhosos coroamentos em volta da muda que a ressecam. Simples e barato, um pedaço de cano de PVC cortado na vertical serve de ‘perneira’ para a muda e a protege. Em Buenos Aires (Argentina), além da ‘perneira’, árvores ganharam uma ‘coleira’ que afasta insetos inimigos.

PROBLEMA EM MATÃO

No percurso de um trajeto curto de 100 metros, da altura do nª 2.363 da Avenida Francisco Mastropietro para o ‘balão’ da Avenida Brasil, praticamente todas as árvores têm marcas de fios de naylon em seus troncos. Até um PVC ao redor de uma delas teve parte estilhaçada, mas segue sua missão de proteger. “É quase certo que muitas destas árvores terão problemas ou até morrerão. É preciso que parem com este massacre, sobretudo às mudas e árvores menores”, frisa Cezar.

“É um absurdo o que está acontecendo! Perto de casa, tento evitar este problema com a colocação de PVC ao redor das mudas. Muitos destes tubos possuem cortes causados por roçadeiras; portanto, se não estivessem lá, as mudas ficariam suscetíveis à morte. E pela cidade toda, como fica? Há outros que pensam como eu e ajudam o meio ambiente da mesma forma, mas somos raros por aí. Então, por favor, conscientizem melhor os roçadores e exijam que não façam mal às árvores”, solicita Cezar.

POSIÇÃO DA SECRETARIA

“Em primeiro lugar é preciso reconhecer e enaltecer o trabalho voluntário do Cezar, que utiliza seu tempo livre e recursos próprios para contribuir em favor do meio ambiente de nossa cidade, deixando um legado valoroso de cidadania e, sobretudo, de respeito à natureza”, diz Marcos Nascimento, secretário municipal de Meio Ambiente, Saneamento e Recursos Hídricos.

“A ideia do uso de canos de PVC como proteção para o tronco das jovens mudas plantadas, além de muito criativa, tem baixíssimo custo e será implantada no município. Vamos desenvolver um plano de ação em que todas as novas mudas que forem plantadas já terão a respectiva proteção; e naquelas que foram plantadas anteriormente, vamos gradativamente colocar a proteção”, informa o secretário.

“Matão possui um sistema de arborização urbana muito bom, com milhares de árvores plantadas, o que coloca nosso município num patamar elevado em relação a outros. Todas as ideias que contribuem com o desenvolvimento sustentável são bem vindas e desde já coloco a Secretaria à disposição para receber novas ideias que possam trazer melhorias para a qualidade de vida de todos”, finaliza Marcos.


Fonte: Rogério Bordignon


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