Como Ferrari e clã Fittipaldi podem trazer Brasil de volta à Fórmula 1

Quem será o próximo brasileiro a correr na principal categoria do automobilismo?

Enzo Fittipaldi, piloto da academia da Ferrari e neto de Emerson Fittipaldi
Foto: Divulgação

A saída de Felipe Massa da Williams deixou uma questão na cabeça de quem acompanha a Fórmula 1: quem será o próximo brasileiro a correr na principal categoria do automobilismo? A resposta não é simples nem clara, mas tem indícios vindos de dois lugares: a Academia de Pilotos da Ferrari e a família de Emerson Fittipaldi.

As duas coisas se cruzam em um nome: Enzo Fittipaldi. O neto de Emerson Fittipaldi, bicampeão da Fórmula 1, vai para seu segundo ano como membro da Academia da Ferrari. Aos 16 anos, o jovem disputou a temporada completa da Fórmula 4 italiana neste ano, terminando na nona colocação geral.

Enzo, contudo, admite que seu caminho até a Fórmula 1 é longo. “Estou ainda no começo da minha carreira, então tem muita gente na minha frente. Meu sonho é chegar à Fórmula 1 e ser campeão, mas tem muito trabalho até chegar lá”.

Além de Enzo, mais um brasileiro integra o elenco da Academia Ferrari. Gianluca Petecof, 15, assinou com a escuderia italiana no início deste mês. O jovem se destacou no Mundial de Kart deste ano, fechando na sexta posição geral, a melhor entre os brasileiros da competição.

Ainda no clã Fittipaldi quem aparece mais próximo da principal categoria do automobilismo é Pietro, irmão de Enzo. Com 21 anos, o brasileiro foi campeão da World Series, categoria que revelou o australiano Daniel Ricciardo. Pietro, inclusive, quebrou o recorde de poles que pertencia justamente a Ricciardo: 10 a 8.

“Foi muito importante ganhar a World Series”, afirmou Pietro. “Meu plano ano que vem é estar com um pé na Fórmula 1, seja como piloto de teste ou piloto reserva. Ao mesmo tempo, pretendo disputar outra categoria para não ficar parado. Estamos avaliando todas as possibilidades”.

Em janeiro do próximo ano, Pietro é esperado para assumir o carro da Fórmula E da Jaguar nos testes de novatos, que será realizado em Marrakesh, no Marrocos.

Pressão não preocupa esperanças brasileiras:

A ausência de brasileiros na Fórmula 1 joga uma dose extra de pressão aos pilotos do país que figuram em categorias de acesso. Mais novo dos três citados, Gianluca diz levar com tranquilidade a pressão. “Acho que isso me dá mais motivação. Venho aprendendo que eu só posso focar naquilo que eu estou fazendo e não se preocupar com o que os outros pensam”.

No caso de Enzo e Pietro, a pressão tem um ingrediente a mais: o sobrenome Fittipaldi. O mais velho dos netos de Emerson, contudo, afirma que levar o sobrenome do avô mais ajuda do que atrapalha no meio do automobilismo.

“Não sinto muita pressão. Claro que sempre vai ter, mas eu me pressiono mais do que qualquer outra pessoa. E ter o sobrenome Fittipaldi, uma família que entende muito de automobilismo, mais ajuda do que prejudica”.

Enzo também diz não se preocupar com a pressão do sobrenome Fittipaldi. O piloto de 16 anos afirmou, ainda, que Emerson sempre mantém contato após as corridas para passar instruções. “Ele sempre liga para mim e para o meu irmão e ajuda com a parte técnica. Se eu estou decidindo fazer alguma mudança no carro, meu avô, com a experiência dele, ajuda a decidir”.

Massa ainda é a inspiração:

Felipe Massa deixou a Fórmula 1 depois de 15 temporadas. Com um vice-campeonato em 2008, o piloto ainda é uma inspiração para os brasileiros que sonham com uma vaga na principal categoria do automobilismo.

“Sempre fui muito amigo do Felipe Massa, uma pena que não está mais na Fórmula 1. Sempre foi uma grande referência para gente”, afirmou Pietro Fittipaldi, que também vê em Fernando Alonso um exemplo a ser seguido. “Meu avô sempre falou que ele é um dos pilotos mais completos do grid atual da Fórmula 1”.

Alonso também é um dos preferidos de Enzo Fittipaldi. O neto mais novo de Emerson Fittipaldi ainda disse considerar Ayrton Senna seu maior ídolo. O piloto explica que costuma procurar vídeos do tricampeão no Youtube – Enzo nem sequer era nascido quando Ayrton morreu em 1994.

“Acho ele muito impressionante. Vejo vídeos dele no Youtube e ele é um mestre na chuva”.

No caso de Gianluca Petecof, o piloto preferido é Sebastian Vettel. Os dois se encontraram durante a semana do GP Brasil em um evento da Shell, patrocinadora da Ferrari e que possui uma academia de pilotos da qual Gianluca fazia parte.

“Quando comecei a assistir e entender o que era Fórmula 1, era ele quem estava vencendo tudo. Sempre conversamos bastante e ele me dá muitas dicas e conselhos sobre vários assuntos”.


Fonte: Brunno Carvalho/ UOL


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