Rostov do Don: Cidade da Morte é palco macabro da estreia do Brasil na Copa

Sede do Mundial da Rússia é a capital dos serial killers

Vista da Arena Rostov, construída para a Copa, palco de Brasil x Suíça, dia 17/6
Foto: AP / AP Photo

Rostov do Don, capital da província do mesmo nome no sul da Rússia, é o palco da estreia do Brasil na Copa do Mundo, contra a Suíça, dia 17 de junho. O torcedor brasileiro que passar por lá, e consultar o guia turístico mais famoso do mundo sobre a Rússia, encontrará palavras desanimadoras sobre a cidade: “não existe nenhuma razão particular para ficar aqui  além de um dia”, diz o livro. O guia esconde, no entanto, algo que pode afastar ainda mais o turista mais medroso: a cidade é considerada a “capital mundial dos serial killers", com apelidos nada convidativos como “Cidade da Morte” ou “Casa dos Maníacos”.

A fama vem dos últimos anos do século XX. Entre 1987 e 1999, segundo dados da polícia local, mais 34 assassinos em série foram presos na região, sem contar um número acima da média de estupradores capturados.

É de lá o mais famoso serial killer da Rússia, uma das figuras mais temidas da história do crime no mundo: Andrei Chikatilo, um engenheiro ucraniano que se mudou para a União Soviética ainda na infância, e que confessou 56 violentos assassinatos entre 1978 e 1990, na maioria com mulheres e crianças como vítimas. Foi condenado à morte por 52 brutais crimes e executado em 1994. Pelo modo que cometia seus crimes, e como deixava os corpos, ficou conhecido como “O Açougueiro de Rostov”, ou o “Estripador Vermelho”.

Só quando a polícia russa admitiu contar com a ajuda de um psiquiatra, o médico Alexander Bukhanovsky (algo não comum para a conservadora sociedade soviética da época, que negava até a existência de desvios mentais), que Andrei Chikatilo foi descoberto e preso, o que mudou a forma de investigar os crimes do tipo na cidade. De certa maneira, o fato ajudou a dar a fama de terror a Rostov, que apesar da estatística, não é considerada uma cidade mais perigosa que outros grandes centros urbanos.

— Não tem nada a ver com a nossa água local. Serial killers existem em toda parte, mas aqui nós temos mais prática na captura deles, por isso as estatísticas são mais elevadas — disse o psiquiatra, falecido em 2013, a um documentário da BBC gravado na década passada.

Além do jogo do Brasil, Rostov do Don, que construiu para o Mundial a Arena Rostov, com capacidade para 45 mil pessoas, receberá outras quatro partidas da Copa, incluindo uma oitava de final. Chance de construir fama menos macabra, já que o terror só vai ficar marcado para quem perder por lá. E que seja a cidade em que o Brasil comece a exterminar seus adversários, um a um, sem nunca ser pego no caminho até Moscou. Na bola e sem violência, evidentemente.


Fonte: Globo


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